A cena ocorre na sala de aula de uma universidade: minutos antes de iniciar-se uma prova, duas mulheres entre 25 e 30 anos de idade, que estavam sentadas próximas, trocam um caloroso e sincero beijo e desejam uma à outra boa sorte na prova.
Apesar do silencio tenso que pesou sobre os demais presentes na sala de aula e dos pensamentos de reprovação que possam ter havido, ninguém expressou-se e a prova ocorreu normalmente.
Esse é um exemplo de um dos mais intrigantes processos em andamento na sociedade brasileira: a aceitação da diversidade sexual. Tivesse ocorrido a meros 5 ou , quem sabe, 2 anos atrás, alunos teriam revoltado-se, considerariam aquele ato uma ofensa aos costumes, talvez o professor exigisse a saída de sala de aula e, quem sabe, o caso teria inclusive estampado as páginas de algum jornal oportunista.
Porém hoje, a homofobia tomou a faceta de crime e as relações homo afetivas passaram a ser aceitas, como em outros tempos aceitou-se o fato da terra ser redonda e o homem ser descendente dos macacos. A atitude dos homossexuais possui algumas características aguerridas características dos grupos em busca de reconhecimento e fortalecimento social. Traduzindo-se: buscam um reconhecimento social e, porque não, um, projeto de poder.
A eleição de um político, ex-BBB, e sua convincente e articulada performance política até o momento denotam que ele provavelmente terá algumas reeleições pela frente, por mostrar-se um caso bem sucedido de representação de um grupo social.
Alguns fatores aceleram e contribuem para o processo de rejeição da homofobia: os interesses econômicos envolvidos, a vasta contribuição das novelas que perceberam no filão homossexual uma garantia de geração de índices de IBOPE e não fazem-se de rogadas em explorar o tema em troca de pontos a mais de audiência, as questões legais relativas ao direito de herança e reconhecimento de relação estável para fins de plano de saúde e seguro de vida e, por fim, o fato dos adolesceres terem percebido na opção pela homossexualidade , um ato de protesto frente à geração de seus pais.
Afinal, poucas opções de protesto haviam sobrado, álcool e drogas são apenas continuidades de outras gerações, a tecnologia não é um ato de protesto, mas sim uma inserção ferramental; sobrou a relação homo afetiva como forma de gerar a oportunidade de chocar e transgredir, desejos inerentes aos adolescentes em fase de afirmação pessoal.
Como interesses econômicos, cabe citar a próspera “ indústria rosa”, como é conhecida a brutal receita gerada pelo público homossexual. Como exemplo típico temos o pico de faturamento observado na rede hoteleira de São Paulo por conta da Parada Gay, onde hotéis registra 100 % de ocupação, numa incontestável demonstração da rentabilidade que esse evento traz para a cidade.
Como a história ensina-nos, quando dinheiro e interesses convergem, a roda gira com mais velocidade. É o que observamos hoje nos governantes que estimulam a presença dos eventos destinados ao publico gay em suas cidades. De olho nas urnas, é claro.
Forças conservadoras continuarão a manifestar sua reprovação à crescente presença da homossexualidade na sociedade brasileira e os heterossexuais serão obrigados a conviver com a diferença, pois o que pode parecer ao observador desatento uma mera questão de mudança de costume tem por trás uma poderosa conotação econômica–financeira subjacente à ela.
Trata-se de uma questão de constituição de poder e autoridade dos diferentes sobre o status quo, expressa em votos nas eleições, processos judiciais contra homofobia e, least but not last, dinheiro, muito dinheiro, na forma de consumo dos mais diversos bens e serviços, como exemplificado pela rede hoteleira paulista e pelos índices de audiência globais, ops, das telenovelas.
Forma-se assim um poderoso ciclo de poder que se auto alimenta e que dificilmente será quebrado pelo que se tem observado até o momento. Está aí um belo caso de estudo social a ser aprofundado. Quem se habilita?
segunda-feira, 27 de junho de 2011
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Estamos diante do anarquismo cibernético?
Estamos diante do anarquismo cibernético?
A recente notícia da prisão na Espanha de 3 hackers responsáveis pelo ataque ao banco de dados do Playstation da Sony, o qual deixou site 30 dias fora do ar, trouxe à tona maiores detalhes sobre a Anonymous, organização de hackers que atacam empresas e instituições públicas.
Desde o bem sucedido ataque ao site da Playstation, quando foram furtados dados de milhares, ou melhor, centenas de milhares, ou mesmo,quem sabe, milhões de usuários , investigações vinham sendo feitas para localizar os responsáveis.
Não é uma tarefa simples. Esses hackers realizam seus ataques através de computadores “zumbis’,ou seja, computadores de terceiros que são infectados e passam a operar à distância, controlados pelos hackers.
Segundo a polícia espanhola, esses hackers montaram uma estrutura capaz de parar completamente um país, atacando suas estruturas administrativas. A guerra cibernética é, com certeza, a mais perigosa e letal de todas, por possuir um baixo custo e ser capaz de atingir sistemas operacionais de atividades altamente estratégicas, tais como:energia, telecomunicações, centrais de processamento de dados de governos, etc.
A Anonymous aparentemente tem como ideologia o lema “Hay poder,soy contra”. Ela é particularmente ameaçadora por seu perfil anarquista e por não possuir uma organização central, o que dificulta seu extermínio ou anulação. Logo após anúncio da prisão dos 3 integrantes, a entidade enviou comunicado informando que “não se decapita uma serpente sem cabeça”.
Ou seja, a Anonymous não depende de uma ou duas pessoas, sendo constituída por silenciosos e ameaçadores integrantes ao redor do mundo. Um dos temores dos setores de segurança é que esses hackers passem a agir como mercenários, utilizando-se de seu poder destrutivo a quem melhor lhes pague.
A ameaça dos ataques cibernéticos é a maior ameaça à segurança mundial. O poder da Anonymous é muitas vezes mais letal que o da Al Qaeda. Portanto se, em algum momento, a Anonymous e a Al Qaeda unirem-se, aí sim estaremos diante de uma ameaça em escala mundial nunca antes vista na história mundial.
A recente notícia da prisão na Espanha de 3 hackers responsáveis pelo ataque ao banco de dados do Playstation da Sony, o qual deixou site 30 dias fora do ar, trouxe à tona maiores detalhes sobre a Anonymous, organização de hackers que atacam empresas e instituições públicas.
Desde o bem sucedido ataque ao site da Playstation, quando foram furtados dados de milhares, ou melhor, centenas de milhares, ou mesmo,quem sabe, milhões de usuários , investigações vinham sendo feitas para localizar os responsáveis.
Não é uma tarefa simples. Esses hackers realizam seus ataques através de computadores “zumbis’,ou seja, computadores de terceiros que são infectados e passam a operar à distância, controlados pelos hackers.
Segundo a polícia espanhola, esses hackers montaram uma estrutura capaz de parar completamente um país, atacando suas estruturas administrativas. A guerra cibernética é, com certeza, a mais perigosa e letal de todas, por possuir um baixo custo e ser capaz de atingir sistemas operacionais de atividades altamente estratégicas, tais como:energia, telecomunicações, centrais de processamento de dados de governos, etc.
A Anonymous aparentemente tem como ideologia o lema “Hay poder,soy contra”. Ela é particularmente ameaçadora por seu perfil anarquista e por não possuir uma organização central, o que dificulta seu extermínio ou anulação. Logo após anúncio da prisão dos 3 integrantes, a entidade enviou comunicado informando que “não se decapita uma serpente sem cabeça”.
Ou seja, a Anonymous não depende de uma ou duas pessoas, sendo constituída por silenciosos e ameaçadores integrantes ao redor do mundo. Um dos temores dos setores de segurança é que esses hackers passem a agir como mercenários, utilizando-se de seu poder destrutivo a quem melhor lhes pague.
A ameaça dos ataques cibernéticos é a maior ameaça à segurança mundial. O poder da Anonymous é muitas vezes mais letal que o da Al Qaeda. Portanto se, em algum momento, a Anonymous e a Al Qaeda unirem-se, aí sim estaremos diante de uma ameaça em escala mundial nunca antes vista na história mundial.
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quinta-feira, 2 de junho de 2011
O vácuo de poder de Dilma e o ressurgimento de Lula: o beijo da morte?
O ressurgimento de Lula no Planalto para tentar driblar a crise com o ministro Palocci trouxe um claro sinal ao meio político:Dilma abriu um vácuo de poder, rapidamente ocupado pelo ex-presidente.
Há uma regra na Física que diz que onde há vácuo, o ar imediatamente tenta entrar para ocupá-lo. Esse fenômeno ocorre na ciência do poder também.Onde há vácuo de poder, virá alguém ocupar o espaço.
O problema é que Dilma deu um claro sinal de fraqueza para toda oposição, a qual ganhou coragem e encampou de forma agressiva as iniciativas para levar Palocci ao plenário para explicar sua milagrosa multiplicação de faturamento como consultor.
Aliás, o termo agressivo é um eufemismo para a troca de favores e concessões que a oposição está pedindo para evitar que Palocci tenha que prestar explicações.
Estamos no pior momento possível do governo Dilma: sua autoridade está sendo questionada, seus esforços de conciliação são feitos de forma indireta e tímida, seu posicionamento público é precário e sua inabilidade em lidar com a crise parece inquestionável.
Para piorar, há rumores de que sua saúde está longe do ideal e pode estar contribuindo para a dificuldade de lidar com o difícil momento.
Uma coisa é certa, o dano dessas 3 ultimas semanas deixará cicatrizes na relação institucional entre a Presidenta e os demais atores do cenário político brasileiro.
Se Lula tiver que intervir novamente a favor das causas do Governo, estará contribuindo inexorávelmente para o enfraquecimento moral de sua escolhida e sucessora.
Nuvens carregadas no horizonte...
Há uma regra na Física que diz que onde há vácuo, o ar imediatamente tenta entrar para ocupá-lo. Esse fenômeno ocorre na ciência do poder também.Onde há vácuo de poder, virá alguém ocupar o espaço.
O problema é que Dilma deu um claro sinal de fraqueza para toda oposição, a qual ganhou coragem e encampou de forma agressiva as iniciativas para levar Palocci ao plenário para explicar sua milagrosa multiplicação de faturamento como consultor.
Aliás, o termo agressivo é um eufemismo para a troca de favores e concessões que a oposição está pedindo para evitar que Palocci tenha que prestar explicações.
Estamos no pior momento possível do governo Dilma: sua autoridade está sendo questionada, seus esforços de conciliação são feitos de forma indireta e tímida, seu posicionamento público é precário e sua inabilidade em lidar com a crise parece inquestionável.
Para piorar, há rumores de que sua saúde está longe do ideal e pode estar contribuindo para a dificuldade de lidar com o difícil momento.
Uma coisa é certa, o dano dessas 3 ultimas semanas deixará cicatrizes na relação institucional entre a Presidenta e os demais atores do cenário político brasileiro.
Se Lula tiver que intervir novamente a favor das causas do Governo, estará contribuindo inexorávelmente para o enfraquecimento moral de sua escolhida e sucessora.
Nuvens carregadas no horizonte...
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Algumas considerações sobre a liderança de Bin Laden e Obama
Ao analisarmos Barack Obama e Osama Bin Laden como fenômeno de liderança pode-se observar diversos elementos interessantes.
Osama Bin Laden e seu grupo , com certeza, buscavam oportunidades de infiltração em meio aos levantes árabes de fortes conotações democráticas que varrem o continente africano. Todos temem que hajam incitações da Al Qaeda por trás desses levantes. Porém a súbita morte de Bin Laden, numa bem sucedida operação militar americana, deu-nos a oportunidade de medir com certa precisão o quanto havia de identificação entre esse líder e os muçulmanos.
As reações de indignação popular foram proporcionalmente bastante modestas frente ao tamanho da população muçulmana, grupo religioso que mais cresce no mundo. Ocorreram manifestos, com certeza, mas muito modestos e pontuais, dando-nos a impressão de que o muçulmano não tem tanta identificação com o radicalismo da Al Qaeda.
Cabe destacar que as 2 principais lideranças palestinas, Hamas e Fatah, foram bastante cautelosas quanto ao assunto e não se viu palestinos enfurecidos nas ruas protestando contra a morte do líder da Al Qaeda.
Além disso, em países tradicionalmente muçulmanos como o Egito e a Tunísia, ou mesmo, o Iêmen, não houve grandes protestos de massa. Cabe lembrar o “efeito CNN”, que é expresso por um maior acirramento dos ânimos dos manifestantes toda vez que identificam uma câmera de TV filmando um protesto. Portanto ao ver imagens de protesto na TV,lembre-se do possível efeito CNN potencializando a imagens.
Por outro lado, é curioso observar a leitura corporal de Barack Obama. É nítido seu conforto no cargo que ocupa. Parece sempre relaxado, sabe entrar e sair do protocolo sem perder a naturalidade, de uma forma quase desconcertante. É claro que o recente assassinato de Bin Laden trouxe-lhe mais auto-confiança, mas, definitivamente, se o corpo fala, então o corpo de Obama diz: “I love this job”.
Osama Bin Laden e seu grupo , com certeza, buscavam oportunidades de infiltração em meio aos levantes árabes de fortes conotações democráticas que varrem o continente africano. Todos temem que hajam incitações da Al Qaeda por trás desses levantes. Porém a súbita morte de Bin Laden, numa bem sucedida operação militar americana, deu-nos a oportunidade de medir com certa precisão o quanto havia de identificação entre esse líder e os muçulmanos.
As reações de indignação popular foram proporcionalmente bastante modestas frente ao tamanho da população muçulmana, grupo religioso que mais cresce no mundo. Ocorreram manifestos, com certeza, mas muito modestos e pontuais, dando-nos a impressão de que o muçulmano não tem tanta identificação com o radicalismo da Al Qaeda.
Cabe destacar que as 2 principais lideranças palestinas, Hamas e Fatah, foram bastante cautelosas quanto ao assunto e não se viu palestinos enfurecidos nas ruas protestando contra a morte do líder da Al Qaeda.
Além disso, em países tradicionalmente muçulmanos como o Egito e a Tunísia, ou mesmo, o Iêmen, não houve grandes protestos de massa. Cabe lembrar o “efeito CNN”, que é expresso por um maior acirramento dos ânimos dos manifestantes toda vez que identificam uma câmera de TV filmando um protesto. Portanto ao ver imagens de protesto na TV,lembre-se do possível efeito CNN potencializando a imagens.
Por outro lado, é curioso observar a leitura corporal de Barack Obama. É nítido seu conforto no cargo que ocupa. Parece sempre relaxado, sabe entrar e sair do protocolo sem perder a naturalidade, de uma forma quase desconcertante. É claro que o recente assassinato de Bin Laden trouxe-lhe mais auto-confiança, mas, definitivamente, se o corpo fala, então o corpo de Obama diz: “I love this job”.
quinta-feira, 28 de abril de 2011
O que o Linkedin ensina-nos sobre a ( curta ) vida útil dos executivos e executivas brasileiros
O que o Linkedin ensina-nos sobre a ( curta ) vida útil dos executivos e executivas brasileiros
Como você já deve saber, o Linkedin é uma ótima forma de manter e expandir seu network corporativo.Além de ser um saudável meio de troca de informações e detecção de oportunidades profissionais, essa rede social traz a possibilidade de discussões interessantes sobre diversos aspectos do mundo corporativo e um olhar atento pode captar algumas ricas discussões que falam muito da realidade do mercado de trabalho.
Outro dia deparei-me com uma discussão interessante intitulada: “Como lidar com o fator idade no mercado de trabalho? “. O que parecia ser uma discussão conceitual em seu início, ganhou corpo, incorporou testemunhos absolutamente dramáticos e trouxe novas cores ao tema abordado.
O tema já recebeu mais de 3000 comentários e podemos dizer que 99% batem na mesma tecla: o executivo adulto com mais de 40 anos está, na maioria das vezes, fadado a ser relegado a um segundo plano no mercado de trabalho. Daí a profusão de “ consultores” e de desesperados, como muitos dos corajosos comentários postados demonstram.
O termo “overqualified “ aparece como o feedback mais comum recebido nas (fracassadas) entrevistas de recrutamento e seleção, quando não se ouve respostas mais objetivas do tipo "too old for us” . Há inclusive uma entidade constituída com o objetivo de sensibilizar a classe política frente ao preconceito vivenciado pelos profissionais com mais de 40 no mercado de trabalho e que irá à Brasília nos próximos dias.
Esqueça as notícias dos jornais e revistas dizendo que o país vive uma inédita prosperidade e próximo do pleno emprego.Esqueça as notícias das revistas especializadas dizendo que é hora do profissional buscar nova colocações e desafios. O verdadeiro Brasil do mundo executivo está retratado naquele fórum, onde homens e mulheres no auge de sua plenitude produtiva amargam semanas, meses, anos de ostracismo, pois têm mais de 40 anos.
Esse é nosso verdadeiro mundo executivo, ou seria uma selva?.
Como você já deve saber, o Linkedin é uma ótima forma de manter e expandir seu network corporativo.Além de ser um saudável meio de troca de informações e detecção de oportunidades profissionais, essa rede social traz a possibilidade de discussões interessantes sobre diversos aspectos do mundo corporativo e um olhar atento pode captar algumas ricas discussões que falam muito da realidade do mercado de trabalho.
Outro dia deparei-me com uma discussão interessante intitulada: “Como lidar com o fator idade no mercado de trabalho? “. O que parecia ser uma discussão conceitual em seu início, ganhou corpo, incorporou testemunhos absolutamente dramáticos e trouxe novas cores ao tema abordado.
O tema já recebeu mais de 3000 comentários e podemos dizer que 99% batem na mesma tecla: o executivo adulto com mais de 40 anos está, na maioria das vezes, fadado a ser relegado a um segundo plano no mercado de trabalho. Daí a profusão de “ consultores” e de desesperados, como muitos dos corajosos comentários postados demonstram.
O termo “overqualified “ aparece como o feedback mais comum recebido nas (fracassadas) entrevistas de recrutamento e seleção, quando não se ouve respostas mais objetivas do tipo "too old for us” . Há inclusive uma entidade constituída com o objetivo de sensibilizar a classe política frente ao preconceito vivenciado pelos profissionais com mais de 40 no mercado de trabalho e que irá à Brasília nos próximos dias.
Esqueça as notícias dos jornais e revistas dizendo que o país vive uma inédita prosperidade e próximo do pleno emprego.Esqueça as notícias das revistas especializadas dizendo que é hora do profissional buscar nova colocações e desafios. O verdadeiro Brasil do mundo executivo está retratado naquele fórum, onde homens e mulheres no auge de sua plenitude produtiva amargam semanas, meses, anos de ostracismo, pois têm mais de 40 anos.
Esse é nosso verdadeiro mundo executivo, ou seria uma selva?.
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sexta-feira, 1 de abril de 2011
Ensaio sobre leitura corporal : Paes tieta Obama,enquanto japoneses enfrentam tragédia
Que o corpo fala, todos sabemos. Aproveitar-se desse fato para fazer leituras sublimainares das notícias pode ser uma atividade interessante e reveladora.Tomemos como exemplo dois fatos que foram relevantes: a visita de Obama ao Brasil e a atitude dos japoneses no terremoto no Japão.
A foto mais emblemática da visita de Obama foi a que mostrava o prefeito Eduardo Paes, na pista do Aeroporto Santos Dumont, curvando o corpo para trás para enquadrar o presidente americano numa foto em seu celular.
Ali está estampada a informalidade característica do carioca e, em certo grau, do brasileiro, mas um observador atento poderia interpretar a postura do prefeito como um preocupante sinal de falta de postura e seriedade que, em certo grau, é observado também na cultura brasileira em diversos aspectos.
Mudemos de cena: os japoneses organizados em filas após um terremoto e um tsunami devastarem seu país. Nenhum tumulto, nenhuma desordem, uma evidente organização circundada pelo ambiente de caos e devastação.
Façamos um exercício de imaginação. Imagine o presidente Obama visitando uma Tóquio prestes a receber uma Copa do Mundo e uma Olimpíada. Alguém consegue imaginar que o prefeito da cidade estaria fazendo papel de tiete de presidente na pista de pouso com um celular na mão?
A falta de protocolo do alcaide carioca pode ser tomada como um exagero de alguém que se viu diante do presidente da nação mais poderosa do mundo, mas é injustificável.
O alerta de Joseph Blatter sobre o atraso das obras para a Copa faz uma combinação perfeita com a foto de Obama sendo tietado por Eduardo Paes. Algum estrangeiro que entenda de linguagem corporal poderia pensar: “Se o prefeito da cidade mais importante do Brasil recebe o presidente americano dessa maneira, o que se pode esperar do resto da turma?Será que eles são sérios? Será que darão conta da monumental tarefa que têm à frente?’
O que você acha?
A foto mais emblemática da visita de Obama foi a que mostrava o prefeito Eduardo Paes, na pista do Aeroporto Santos Dumont, curvando o corpo para trás para enquadrar o presidente americano numa foto em seu celular.
Ali está estampada a informalidade característica do carioca e, em certo grau, do brasileiro, mas um observador atento poderia interpretar a postura do prefeito como um preocupante sinal de falta de postura e seriedade que, em certo grau, é observado também na cultura brasileira em diversos aspectos.
Mudemos de cena: os japoneses organizados em filas após um terremoto e um tsunami devastarem seu país. Nenhum tumulto, nenhuma desordem, uma evidente organização circundada pelo ambiente de caos e devastação.
Façamos um exercício de imaginação. Imagine o presidente Obama visitando uma Tóquio prestes a receber uma Copa do Mundo e uma Olimpíada. Alguém consegue imaginar que o prefeito da cidade estaria fazendo papel de tiete de presidente na pista de pouso com um celular na mão?
A falta de protocolo do alcaide carioca pode ser tomada como um exagero de alguém que se viu diante do presidente da nação mais poderosa do mundo, mas é injustificável.
O alerta de Joseph Blatter sobre o atraso das obras para a Copa faz uma combinação perfeita com a foto de Obama sendo tietado por Eduardo Paes. Algum estrangeiro que entenda de linguagem corporal poderia pensar: “Se o prefeito da cidade mais importante do Brasil recebe o presidente americano dessa maneira, o que se pode esperar do resto da turma?Será que eles são sérios? Será que darão conta da monumental tarefa que têm à frente?’
O que você acha?
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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
O paradoxo árabe: o espetáculo do povo e o medo das consequências
O paradoxo árabe. Um dos aspectos mais interessantes do levante árabe que o mundo testemunha hoje é a situação paradoxal em que todos fomos colocados. De um lado, admiramo-nos pela beleza e dramaticidade da capacidade de mudança de regimes por meio da força popular. Quedas de Bastilhas, uma após a outra, demonstram que a lição dos franceses a séculos atrás permanece viva: o povo unido derruba tiranos e refaz a história.
Por outro lado, as possíveis consequências catastróficas para o equilíbrio político-econômico mundial colocam todos países em estado de alerta. O crescimento da influência iraniana na região, o risco de radicalização islâmica ao invés da democratização, as áreas estratégicas de produção petrolífera na região, o risco para Israel, a fuga em massa para a Europa, todos esses elementos adicionam dramaticidade ao espetáculo dos levantes populares a que o mundo assiste.
Com exceção dos tiranos e dos que se beneficiam de regimes opressores para se enriquecerem e se perpetuarem, o levante árabe é uma grata surpresa, ainda mais por ter sido alimentada pelos ventos da tecnologia a qual permitiu, ou, pelo menos, facilitou a mobilização em massa dos manifestantes.
Como toda crise, essa traz riscos e oportunidades e pode significar inclusive um renascimento da cultura árabe sufocada por décadas pelo jugo de ditadores e déspotas. Os ventos da liberdade sopram cada vez mais forte no Norte da África e novas lideranças surgirão ou retomarão posição de destaque, a exemplo da Irmandade Muçulmana.
Torcemos para que esses povos estejam reescrevendo uma bonita página da história da Humanidade.
Por outro lado, as possíveis consequências catastróficas para o equilíbrio político-econômico mundial colocam todos países em estado de alerta. O crescimento da influência iraniana na região, o risco de radicalização islâmica ao invés da democratização, as áreas estratégicas de produção petrolífera na região, o risco para Israel, a fuga em massa para a Europa, todos esses elementos adicionam dramaticidade ao espetáculo dos levantes populares a que o mundo assiste.
Com exceção dos tiranos e dos que se beneficiam de regimes opressores para se enriquecerem e se perpetuarem, o levante árabe é uma grata surpresa, ainda mais por ter sido alimentada pelos ventos da tecnologia a qual permitiu, ou, pelo menos, facilitou a mobilização em massa dos manifestantes.
Como toda crise, essa traz riscos e oportunidades e pode significar inclusive um renascimento da cultura árabe sufocada por décadas pelo jugo de ditadores e déspotas. Os ventos da liberdade sopram cada vez mais forte no Norte da África e novas lideranças surgirão ou retomarão posição de destaque, a exemplo da Irmandade Muçulmana.
Torcemos para que esses povos estejam reescrevendo uma bonita página da história da Humanidade.
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