sábado, 21 de janeiro de 2012

Olhando 2011 e suas lições de liderança

O ano de 2011 trouxe interessantes fatos no que tange a processo de liderança e pode ser considerado um ano de surpreendentes e transformadores acontecimentos, tanto no âmbito mundial , como nacional.

No âmbito internacional. A Primavera Árabe, com sua contundente capacidade de transformação, a derrocada da economia europeia e do euro, antes uma referência de progresso e segurança econômica, o downgrade dos Estados Unidos pela Standard e Poors e a incessantes escalada da China , como locomotiva econômica mundial foram alguns dos elementos de grande destaque no que tange à liderança conjuntural.

Na esteira desse processo, a crescente importância do Brasil no cenário mundial e o momento histórico vivido pelo país levaram à uma antes inimaginável inversão da lógica econômica mundial, inclusive com inversão de fluxo migratório de mão de obra.

No Brasil, a afirmação do modelo Dilma de liderança, com ênfase na gestão e numa providencial discrição, foi uma agradável surpresa inclusive, ou principalmente, para os que não votaram nela. (incluindo eu)

No campo empresarial, Eike Batista segue imbatível como referência empreendedora, enquanto no campo das políticas publicas, José Beltrame deu um show para o Brasil e o mundo. Não será surpresa se seu nome for cogitado para o prêmio Nobel.

2011 viu a presença feminina consolidando-se nas posições de liderança no Brasil, principalmente no governo federal, onde vários cargos políticos estratégicos estão em nãos femininas.

Analistas creem que 2011 será um ano que deixará marcas devido às transformações nele ocorridas, o que parece estar se materializando, na medida em que o primeiro mês de 2012 já nos trouxe o downgrade de vários ex-intocáveis na Europa, como França e Áustria. O lastimável naufrágio na costa italiana trouxe valiosas lições do peso que um líder inapto, ou covarde, pode ter frente a seus comandados numa situação de emergência.

Que venha o novo ano. Felizmente estamos do lado bom da história dessa vez e assistimos de camarote o desenrolar dos acontecimentos, enquanto vivenciamos um crescimento econômico histórico.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A executiva disse: " Adoro demitir"

Numa aula de Mestrado, a executiva de uma grande cadeia de lojas de departamento disse: “Eu adoro demitir’. Passado o susto inicial de todos na sala diante da surpreendente afirmativa e, confesso, um certo sentimento de indignação, passou a fazer sentido o que ela disse diante das experiências de consumo que vivenciei todas as vezes que fiz compras naquela rede.

A primeira idéia que veio à minha mente foi de que sua frase deve refletir uma filosofia maior das suas lideranças e que provavelmente não é um fato isolado, ou limitado à sua pessoa. Depois pensei, com certa dose de sarcasmo, que “o vento que sopra aqui, sopra lá”. Ou seja, é possível que alguém acima dela também goste de demitir e que um dia poderia chegar sua hora também.
Enfim, passei a compreender os rostos pesados e as feições pouco amigáveis que observo toda vez que faço compras nessa loja de departamentos. Aliás, essas minhas compras são pouco freqüentes em função das sucessivas más experiências que lá vivenciei e que fazem com que eu vá lá apenas como ultima opção.

Dizem que cada empresa tem uma frase que sintetiza sua cultura e seus valores. Sabe-se que muitos desses slogans são meros jogos de palavras, mas um depoimento tão sincero e real de uma executiva estratégica vale por mil slogans e expõe a verdadeira forma como um membro do topo da organização enxerga os funcionários.

Diz o ditado que um exemplo vale por mil palavras; nesse caso uma palavra valeu por mil gestos. Talvez, quem sabe, no momento que você lê essas linhas a autora da infeliz, mas sincera, frase tenha provado o sabor amargo de suas próprias convicções e gostos. Ou talvez esteja continuando sua saga de considerar a demissão algo prazeroso; desde que seja dos outros, é claro.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Quer errar na gestão de equipes? Considere algo óbvio.

Quer errar feio na liderança de equipes e na capacitação de pessoas? Considere que algo é óbvio. Nenhum caminho para o erro é mais curto do que esse: supor que o que você considera como evidente, claro, óbvio e, portanto, aplicável e, pior de tudo, já em andamento, por ser óbvio.

Um dos valores agregados de capacitar executivos e profissionais de mercado é receber constante feedback do que acontece no mundo corporativo. Em especial, num curso de Liderança, a quantidade de pérolas que surgem é muito rica. Porém, após alguns anos nesse tipo de atividade, você percebe que surge um padrão de situações.

Uma das pérolas que sempre surge é a do gestor que se surpreende com fatos que, pensando ele que fossem obvias, não estão ocorrendo na equipe sob sua responsabilidade. Está aí uma das maiores armadilhas da gestão: o que você acredita que todos consideram óbvio na sua equipe.
Somente mediante claro posicionamento e estabelecimento como conhecimento aplicado e reforçado, algo pode ser considerado como óbvio, quando tratamos de comportamento humano.

Portanto, para que algo possa ser considerado como óbvio, é necessário que tenha havido anteriormente um processo de absorção e reforço desse conhecimento, para que um gestor possa cobrar e esperar que um conhecimento, ou procedimento, ou valor, seja dado como óbvio para os integrantes de sua equipe.

A dica é simples: liste tudo que você considera obvio dentro do conjunto de valores e procedimentos que fazem parte das atividades de sua equipe. Com essa lista nas mãos, verifique informalmente com seus funcionários se eles compartilham dessa "obviedade”. Em poucos minutos, você perceberá que há desvios entre sua percepção e a realidade.

Você terá em mãos um rico material para capacitar sua equipe e reforçar os procedimentos óbvios e, portanto essenciais, dentro de sua área de atividade. Agora, mão às obras e você perceberá o quanto essa iniciativa simples aperfeiçoará a gestão de sua equipe.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Homofobia, assertividade e poder: a novo ordem sócio-cultural?

A cena ocorre na sala de aula de uma universidade: minutos antes de iniciar-se uma prova, duas mulheres entre 25 e 30 anos de idade, que estavam sentadas próximas, trocam um caloroso e sincero beijo e desejam uma à outra boa sorte na prova.

Apesar do silencio tenso que pesou sobre os demais presentes na sala de aula e dos pensamentos de reprovação que possam ter havido, ninguém expressou-se e a prova ocorreu normalmente.
Esse é um exemplo de um dos mais intrigantes processos em andamento na sociedade brasileira: a aceitação da diversidade sexual. Tivesse ocorrido a meros 5 ou , quem sabe, 2 anos atrás, alunos teriam revoltado-se, considerariam aquele ato uma ofensa aos costumes, talvez o professor exigisse a saída de sala de aula e, quem sabe, o caso teria inclusive estampado as páginas de algum jornal oportunista.

Porém hoje, a homofobia tomou a faceta de crime e as relações homo afetivas passaram a ser aceitas, como em outros tempos aceitou-se o fato da terra ser redonda e o homem ser descendente dos macacos. A atitude dos homossexuais possui algumas características aguerridas características dos grupos em busca de reconhecimento e fortalecimento social. Traduzindo-se: buscam um reconhecimento social e, porque não, um, projeto de poder.

A eleição de um político, ex-BBB, e sua convincente e articulada performance política até o momento denotam que ele provavelmente terá algumas reeleições pela frente, por mostrar-se um caso bem sucedido de representação de um grupo social.

Alguns fatores aceleram e contribuem para o processo de rejeição da homofobia: os interesses econômicos envolvidos, a vasta contribuição das novelas que perceberam no filão homossexual uma garantia de geração de índices de IBOPE e não fazem-se de rogadas em explorar o tema em troca de pontos a mais de audiência, as questões legais relativas ao direito de herança e reconhecimento de relação estável para fins de plano de saúde e seguro de vida e, por fim, o fato dos adolesceres terem percebido na opção pela homossexualidade , um ato de protesto frente à geração de seus pais.
Afinal, poucas opções de protesto haviam sobrado, álcool e drogas são apenas continuidades de outras gerações, a tecnologia não é um ato de protesto, mas sim uma inserção ferramental; sobrou a relação homo afetiva como forma de gerar a oportunidade de chocar e transgredir, desejos inerentes aos adolescentes em fase de afirmação pessoal.

Como interesses econômicos, cabe citar a próspera “ indústria rosa”, como é conhecida a brutal receita gerada pelo público homossexual. Como exemplo típico temos o pico de faturamento observado na rede hoteleira de São Paulo por conta da Parada Gay, onde hotéis registra 100 % de ocupação, numa incontestável demonstração da rentabilidade que esse evento traz para a cidade.
Como a história ensina-nos, quando dinheiro e interesses convergem, a roda gira com mais velocidade. É o que observamos hoje nos governantes que estimulam a presença dos eventos destinados ao publico gay em suas cidades. De olho nas urnas, é claro.

Forças conservadoras continuarão a manifestar sua reprovação à crescente presença da homossexualidade na sociedade brasileira e os heterossexuais serão obrigados a conviver com a diferença, pois o que pode parecer ao observador desatento uma mera questão de mudança de costume tem por trás uma poderosa conotação econômica–financeira subjacente à ela.

Trata-se de uma questão de constituição de poder e autoridade dos diferentes sobre o status quo, expressa em votos nas eleições, processos judiciais contra homofobia e, least but not last, dinheiro, muito dinheiro, na forma de consumo dos mais diversos bens e serviços, como exemplificado pela rede hoteleira paulista e pelos índices de audiência globais, ops, das telenovelas.

Forma-se assim um poderoso ciclo de poder que se auto alimenta e que dificilmente será quebrado pelo que se tem observado até o momento. Está aí um belo caso de estudo social a ser aprofundado. Quem se habilita?

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Estamos diante do anarquismo cibernético?

Estamos diante do anarquismo cibernético?

A recente notícia da prisão na Espanha de 3 hackers responsáveis pelo ataque ao banco de dados do Playstation da Sony, o qual deixou site 30 dias fora do ar, trouxe à tona maiores detalhes sobre a Anonymous, organização de hackers que atacam empresas e instituições públicas.

Desde o bem sucedido ataque ao site da Playstation, quando foram furtados dados de milhares, ou melhor, centenas de milhares, ou mesmo,quem sabe, milhões de usuários , investigações vinham sendo feitas para localizar os responsáveis.

Não é uma tarefa simples. Esses hackers realizam seus ataques através de computadores “zumbis’,ou seja, computadores de terceiros que são infectados e passam a operar à distância, controlados pelos hackers.

Segundo a polícia espanhola, esses hackers montaram uma estrutura capaz de parar completamente um país, atacando suas estruturas administrativas. A guerra cibernética é, com certeza, a mais perigosa e letal de todas, por possuir um baixo custo e ser capaz de atingir sistemas operacionais de atividades altamente estratégicas, tais como:energia, telecomunicações, centrais de processamento de dados de governos, etc.

A Anonymous aparentemente tem como ideologia o lema “Hay poder,soy contra”. Ela é particularmente ameaçadora por seu perfil anarquista e por não possuir uma organização central, o que dificulta seu extermínio ou anulação. Logo após anúncio da prisão dos 3 integrantes, a entidade enviou comunicado informando que “não se decapita uma serpente sem cabeça”.

Ou seja, a Anonymous não depende de uma ou duas pessoas, sendo constituída por silenciosos e ameaçadores integrantes ao redor do mundo. Um dos temores dos setores de segurança é que esses hackers passem a agir como mercenários, utilizando-se de seu poder destrutivo a quem melhor lhes pague.

A ameaça dos ataques cibernéticos é a maior ameaça à segurança mundial. O poder da Anonymous é muitas vezes mais letal que o da Al Qaeda. Portanto se, em algum momento, a Anonymous e a Al Qaeda unirem-se, aí sim estaremos diante de uma ameaça em escala mundial nunca antes vista na história mundial.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

O vácuo de poder de Dilma e o ressurgimento de Lula: o beijo da morte?

O ressurgimento de Lula no Planalto para tentar driblar a crise com o ministro Palocci trouxe um claro sinal ao meio político:Dilma abriu um vácuo de poder, rapidamente ocupado pelo ex-presidente.

Há uma regra na Física que diz que onde há vácuo, o ar imediatamente tenta entrar para ocupá-lo. Esse fenômeno ocorre na ciência do poder também.Onde há vácuo de poder, virá alguém ocupar o espaço.

O problema é que Dilma deu um claro sinal de fraqueza para toda oposição, a qual ganhou coragem e encampou de forma agressiva as iniciativas para levar Palocci ao plenário para explicar sua milagrosa multiplicação de faturamento como consultor.

Aliás, o termo agressivo é um eufemismo para a troca de favores e concessões que a oposição está pedindo para evitar que Palocci tenha que prestar explicações.

Estamos no pior momento possível do governo Dilma: sua autoridade está sendo questionada, seus esforços de conciliação são feitos de forma indireta e tímida, seu posicionamento público é precário e sua inabilidade em lidar com a crise parece inquestionável.

Para piorar, há rumores de que sua saúde está longe do ideal e pode estar contribuindo para a dificuldade de lidar com o difícil momento.

Uma coisa é certa, o dano dessas 3 ultimas semanas deixará cicatrizes na relação institucional entre a Presidenta e os demais atores do cenário político brasileiro.

Se Lula tiver que intervir novamente a favor das causas do Governo, estará contribuindo inexorávelmente para o enfraquecimento moral de sua escolhida e sucessora.

Nuvens carregadas no horizonte...

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Algumas considerações sobre a liderança de Bin Laden e Obama

Ao analisarmos Barack Obama e Osama Bin Laden como fenômeno de liderança pode-se observar diversos elementos interessantes.

Osama Bin Laden e seu grupo , com certeza, buscavam oportunidades de infiltração em meio aos levantes árabes de fortes conotações democráticas que varrem o continente africano. Todos temem que hajam incitações da Al Qaeda por trás desses levantes. Porém a súbita morte de Bin Laden, numa bem sucedida operação militar americana, deu-nos a oportunidade de medir com certa precisão o quanto havia de identificação entre esse líder e os muçulmanos.

As reações de indignação popular foram proporcionalmente bastante modestas frente ao tamanho da população muçulmana, grupo religioso que mais cresce no mundo. Ocorreram manifestos, com certeza, mas muito modestos e pontuais, dando-nos a impressão de que o muçulmano não tem tanta identificação com o radicalismo da Al Qaeda.

Cabe destacar que as 2 principais lideranças palestinas, Hamas e Fatah, foram bastante cautelosas quanto ao assunto e não se viu palestinos enfurecidos nas ruas protestando contra a morte do líder da Al Qaeda.

Além disso, em países tradicionalmente muçulmanos como o Egito e a Tunísia, ou mesmo, o Iêmen, não houve grandes protestos de massa. Cabe lembrar o “efeito CNN”, que é expresso por um maior acirramento dos ânimos dos manifestantes toda vez que identificam uma câmera de TV filmando um protesto. Portanto ao ver imagens de protesto na TV,lembre-se do possível efeito CNN potencializando a imagens.

Por outro lado, é curioso observar a leitura corporal de Barack Obama. É nítido seu conforto no cargo que ocupa. Parece sempre relaxado, sabe entrar e sair do protocolo sem perder a naturalidade, de uma forma quase desconcertante. É claro que o recente assassinato de Bin Laden trouxe-lhe mais auto-confiança, mas, definitivamente, se o corpo fala, então o corpo de Obama diz: “I love this job”.